Dedicatória

Dedicamos nosso trabalho, às pessoas que mais estimamos nesta vida: Nossa mãe, Fátima Calil Fonseca, aos irmãos, Fernando, Fábio e Patrícia Calil Fonseca, aos cunhados Dr. Ari, Rosângela e a ex-cunhada Rosana. Aos sobrinhos, Fernando Filho, Elisa e Marina; Henrique; Maria Eugênia e Humberto; Lucilo Neto, Marcondes e Alexandre; e Gabriel.

Dedicamos com carinho especial, às nossas esposas guerreiras, Dra. Elenízia e Alcione.

Bruno e Ricardo.

PREFÁCIO

Objetivamos condensar neste livro, algumas crônicas e poesias, que retratam o nosso cotidiano. Três autores, pai e filhos, através de perspectivas diferentes, gizando sobre o mundo que nos cerca.

A iniciativa de editar este livro, tomada por Bruno Calil Fonseca, enfeixou-se em seguida com a conjugação de esforço com o irmão Ricardo Calil Fonseca, vislumbrada como forma de manifestar gratidão ao nosso genitor Dr. Lucilo Constant Fonseca, de quem recebemos ao longo dos tempos, o exemplo de que o exercício da leitura preenche de bom conteúdo as nossas vidas.

Bruno e Ricardo

PARTE I

LUCILO CONSTANT FONSECA

SONHO

Experimentou, a noite passada meu espírito, a mais estranha e deliciosa sensação. Tive um sonho - senti que estava acompanhado de uma moça muito bonita, e tentadora.

As nossas almas tocadas pelo mesmo sentimento de simpatia e gosto. Penetramos o interior de uma casa, em sua fase final de construção, atravessamos-la, toda sem sentir... E fui me colocar em uma areazinha dos fundos, no segundo pavimento da obra. Da posição em que tomei, via-se bem a cavaleiro a dependência da construção, um banheiro e mais alguns cômodos. Ia a direção de um banheiro minha companheira. Somente nesse momento foi que notei já não mais tê-la junto a mim. Entrou. A porta permaneceu cerrada como dantes e meus olhos quiseram penetrar a sua opacidade. Neste momento chamou-me a atenção a pessoa de um preto, que se dirige para lá, com uma toalha às costas. Podia bem eu pensar que ele ignorava estar a mocinha tomando banho, mas, isso não se deu. Não sei como tive essa impressão... Empurrava o negro levemente a porta e numa faixa de luz, que se projeta de dentro do banheiro vejo então, a figura do audacioso. Não faço nada, fico imóvel simplesmente estático. Espero um grito de horror, pedindo socorro. Espantoso, nada ouço por alguns segundos, senão quando cortando o silêncio ouvi uma voz dizer - ai.

Sem estar com medo, nem ira, talvez um pouquinho de indignação, gritei! - Tem dois minutos para sair daí, dirigia-me ao intruso, mas lembrei, logo, que dois minutos seria muito tempo e o suficiente para muita coisa... Tornei, então, a gritar saia imediatamente.

O crioulo, não mais vi e nem tampouco, lembro-me de tê-lo entrado no banheiro. Todavia, em compensação recordo-me perfeitamente de ter carregado desfalecida em meus braços a minha companheira. Ela era a concretização do belo, a escultura de uma menina de quinze anos, ressaltando a beleza de uma mulher nua. Meus lábios, trêmulos no delírio do amor, pousaram na auréola clara de um seio morno.

09/03/1951

Parte I
Parte II
Parte III
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